A regra número 1 em casos de trauma dental é manter a calma. E a segunda regra é lembrar-se da primeira!

A região da boca é extremamente vascularizada e qualquer tipo de acidente que envolva as estruturas dentais e de suporte pode levar um sangramento excessivo - o que pode ser um grande problema, especialmente no caso de crianças. Dessa forma, manter a calma e o raciocínio lógico é fundamental para que você localize a estrutura dental perdida, armazene-a adequadamente, consiga uma toalha para conter o sangramento (se for o caso), e procure um cirurgião-dentista para tomada de cuidados.

Fraturas coronárias

A fratura coronária está relacionada ao trauma em que apenas uma porção externa é perdida, e toda a base da estrutura dental ainda é mantida na cavidade bucal. Nesses casos, a dica é encontrar a parte fraturada e armazená-la em meio aquoso (soro fisiológico, água limpa ou mesmo leite) e procurar um cirurgião-dentista, que avaliará a possibilidade de utilizar o fragmento dental no processo de restauração dessa estrutura perdida.

Fraturas radiculares

Nesses casos, existe a possibilidade de perder ou não a estrutura do dente, uma vez que o elemento dental pode permanecer em sua posição, mesmo que fraturado. Em caso de acidentes, é fundamental procurar um cirurgião-dentista e fazer um exame radiográfico - com isso, é possível avaliar a extensão da fratura e necessidade de procedimentos mais complexos que visem a preservação da estrutura dental remanescente e/ou tratamento endodôntico (canal).

Lesões com envolvimento de dentes e tecidos de suporte/fixação

As lesões geradas por luxação  causam certo abalamento, mobilidade dental, desalinhamento do ou pequeno sangramento em volta, sem, contudo, provocar a queda. Nesses casos, a pressão excessiva para forçar o reposicionamento do dente deve ser evitada! O ideal é suavemente tentar o seu reposicionamento e procurar um profissional para que ele avalie a necessidade de “esplintagem” da estrutura dental, mantendo-o imóvel. O acompanhamento profissional é fundamental, pois pode ser necessário tratamento endodôntico.

Avulsão dental (perda do elemento dental)

Esse é o processo de perda de toda a estrutura dental (porção coronária e porção radicular). Nesses casos, é importante a localização imediata do dente, que deve ser manipulado preferencialmente pela coroa e nunca pela raiz. O tecido envolto na raiz também não deve ser removido!

A dica é lavar o dente em soro fisiológico (também vale água limpa ou leite), armazená-lo em solução aquosa e procurar ajuda profissional. O interior do alvéolo do elemento dental perdido (local onde o dente fica inserido na boca) pode estar cheio de sangue, que não deve ser removido. Se o dente estiver danificado mas ainda em posição no alvéolo, ele pode ser levado de volta à posição com uma manobra cautelosa (evitar pressão excessiva). A consulta com cirurgião-dentista é emergencial, pois o tempo é fundamental para uma tentativa de reimplantação e preservação do dente.

Trauma dental e a dentição decídua (dentes de lente)

A relação trauma-dentição decídua (os conhecidos dentes de leite) deve ser investigada com muito critério, uma vez que aproximadamente metade dos traumatismos de dentes decíduos resulta em distúrbios no desenvolvimento dos dentes permanentes.

Exames clínicos e radiográficos devem ser bastante pormenorizados. Sempre que uma criança sofre um trauma ou há fraturas de seu elemento dental, devemos considerar que a dentição permanente poderá sofrer as consequências de um tratamento negligenciado. Em alguns casos específicos, se o dente decíduo deslocado invade o folículo do germe do dente permanente em desenvolvimento, ele deve ser removido. Nos casos de avulsão (perda do dente), o reimplante de dentes decíduos é contraindicado, para não causar trauma ao germe do dente permanente durante o reposicionamento.

Em todos os casos, o acompanhamento com um odontopediatra é de fundamental importância, pois as decisões de tratamento de traumas, fraturas e exodontia de dentes de leite podem ter consequências para toda a dentição subsequente.