A escolha de um aparelho fotoativador, termo correto para os conhecidos fotopolimerizadores, é sempre um desafio! O mercado oferece muitas opções, e as diversas áreas odontológicas podem exigir um equipamento com características específicas para determinados fins.

A odontologia estética e adesiva é totalmente “LED dependente” e, portanto, a qualidade da fotoativação influencia muito na longevidade dos nossos trabalhos. Por exemplo, do que adiantaria o cirurgião-dentista executar laminados cerâmicos, com os melhores materiais de moldagem, sistemas adesivos, cimentos resinosos; enviar o caso para o melhor ceramista, e executar todo o protocolo técnico corretamente, se a luz emitida pelo fotoativador não tem intensidade suficiente para atravessar a cerâmica e atingir o cimento? Ou, se o comprimento de onda que o LED emite não é compatível com o fotoiniciador do cimento? Ou ainda, que o tempo de fotoativação não é suficiente levando em conta a intensidade luminosa do fotoativador?

Em outras palavras, todo trabalho cuidadosamente executado pode ser comprometido por uma fotoativação ruim. Ah, e vale lembrar que o compósito resinoso se tornar rígido, não significa que a fotoativação foi corretamente realizada! Mais do que se tornar rígido, o compósito precisa ter um alto de grau de conversão, ou seja, a maior quantidade possível de polímeros formados.

Então vamos falar sobre algumas características importantes para observar no momento da escolha de um fotoativador, e como escolher o melhor aparelho para a realidade clínica de cada um.

Tipo de ponteira ideal

Provavelmente, você já se deparou com aparelhos fotoativadores com diferentes tipos de ponteiras transmissoras de luz. Você sabia que essa ponteira pode fazer bastante diferença no alcance da luz até a restauração? Para facilitar o entendimento, dividiremos as ponteiras em dois tipos: ponteiras transmissoras indiretas e ponteiras transmissoras diretas.

  • Ponteiras transmissoras diretas

As ponteiras de transmissão direta, na maioria das vezes, são feitas de plástico - o que pode gerar perda de intensidade luminosa, já que o plástico muitas vezes é fosco e atrapalha a passagem de luz. Além disso, as de plástico podem sofrer arranhões ou grudar sujeiras com mais facilidade, prejudicando ainda mais a transmissão.

  • Ponteiras transmissoras indiretas

As ponteiras transmissoras indiretas podem ser confeccionadas em diferentes materiais como acrílico, fibra de vidro selada (quando é revestida por uma capa de cor preta) e fibra de vidro não selada (quando não tem essa capa protetora de cor preta ao seu redor).

Independentemente do material, elas devem apresentar uniformidade na sua composição, não apresentando defeitos como bolhas; falhas internas decorrentes do processo de fabricação; trincas ou sujeiras na sua superfície externa, visto que todos esses fatores podem reduzir a luz transmitida pela ponteira. Quando são fabricadas em acrílico, o material pode sofrer danos com facilidade e perder luz ao longo do corpo da ponteira devido a não existência de capa protetora. Além disso, o acrílico, diferente da fibra de vidro, não apresenta coerência na transmissão (a luz não passa de maneira “limpa” pela ponteira), ocorrendo perda de intensidade luminosa mesmo quando são novas.

Intensidade de luz ou Irradiância

Um conceito importante quando se fala em fotoativação é a relação entre irradiância, potência e dose de energia necessária para polimerizar um compósito de base resinosa.

Quando falamos em potência, estamos nos referindo a potência do LED do fotoativador, mensurada em mW, e ela independe da área da ponta transmissora do aparelho.

A irradiância é a potência do LED dividida pela área de saída da ponta do fotoativador sendo mensurada em mW/cm2.

Já a dose de energia, um dos conceito mais importante para entendermos o processo de fotoativação, é a relação entre tempo de exposição multiplicado pela irradiância. Para conseguir uma adequada polimerização de um incremento de 2 mm resina composta, esta deve receber aproximadamente 16.000 milijoules/cm2 (16 J/cm2) de dose de energia.

Se o fotoativador emite 1000 mw/cm2 irradiância, suponhamos que 400 mW/cm2 alcance o compósito (devido à distância existente entre a ponta ativa do fotoativador e o incremento de resina). Então para conseguir adequada fotoativação seria necessário 40 segundos de tempo de exposição (40 segundos x 400 mw/cm2= 16.000 milijoules/cm2).

Em resumo, fazendo esse cálculo, o profissional poderá conseguir uma melhor polimerização dos incrementos mesmo em tempos curtos (se o aparelho fotoativador for de alta irradiância), contudo sem se esquecer dos problemas da contração de polimerização com tempos de ativação muito curtos em alta intensidade.