Perda Auditiva e o dia a dia do Consultório Odontológico – o que eu preciso saber! 

 

Se você é Dentista saiba que segundo as pesquisas você escolheu uma profissão barulhenta! No dia a dia é difícil de perceber ou talvez você não estivesse ouvindo, mas a exposição diária a altos níveis de ruído podem levar os profissionais a desenvolverem algumas sintomatologias clínicas decorrentes da exposição ao barulho.  

A PAIR, ou a “Perda Auditiva Ocupacional”, caracteriza-se por ser neurossensorial; quase sempre bilateral; relacionada à perda de acuidade auditiva e tem seu início nas frequências 3.000 a 6.000Hz, progredindo lentamente às frequências graves, é uma doença de caráter profissional/ocupacional que decorre da exposição contínua a níveis elevados de pressão sonora, como por exemplo, nos casos dos consultórios Odontológicos. 

Dentistas cotidianamente trabalham em ambiente com níveis de pressão sonora elevada e quanto maior a intensidade sonora a que o trabalhador está exposto, menor deve ser o tempo máximo em que ele poderá permanecer no ambiente de trabalho (NR-15 - BRASIL, 1998b). Pesquisas mostram que a intensidade média de ruído em um consultório odontológico está na casa de 90dB, sendo uma intensidade suficientemente capaz de provocar alterações auditivas. 

Uma pesquisa realizada em 2009 avaliaram os limiares auditivos por meio da audiometria tonal limiar (ATL), em 30 cirurgiões-dentistas que atuam ha mais de três anos na profissão, com idade máxima de 45 anos. Todos os participantes passaram pelos seguintes procedimentos: anamnese, meatoscopia, ATL, logoaudiometria e imitanciometria. Os resultados mostraram que 27% dos cirurgiões-dentistas apresentaram queixa de zumbido, 30% de insônia e 37% dor de cabeça além dos problemas relacionados a diminuição da acuidade auditiva. 

Em outros estudos, também foi demonstrado que a exposição a altos níveis de ruído ao longo do tempo podem levar a: Diminuição da capacidade auditiva; Estresse; estafa, irritabilidade e nervosismo; Alterações na pressão arterial; Queda na produtividade além de efeitos adversos no raciocínio, na habilidade e na exatidão de resolução de problemas. 

Portanto, o emprego de estratégias que reduzam os níveis de ruído dentro do consultório é antes de tudo, uma forma de prevenção a problemas de saúde para o profissional, dentre as medidas, podemos citar a adoção de algumas práticas, como por exemplo:

Atenção ao nível de ruído no momento da aquisição de equipamentos: compressor; bomba de vácuo; ar condicionado e peças de mão. 

Atenção à manutenção dos equipamentos; troca de filtros; rotores lubrificados e balanceados.

Ao desenvolver o projeto arquitetônico considerar recursos que diminuam a reverberação sonora. 

Fazer uso de “earplugs”, protetores auriculares para atenuar o som durante a realização dos procedimentos. 

Evitar o uso de dois ou mais equipamentos ruidosos; isolando sempre que for possível os mesmos através do emprego de caixas acústicas como no caso de compressores e bomba de vácuo com abafadores. 

E por fim, considere substituir suas turbinas pneumáticas por motores elétricos. É talvez você ainda não saiba ou não tenha visto, mas o famigerado “barulho do motorzinho”, como se referem os pacientes já tem solução. 

O uso do Motor Elétrico em substituição às tradicionais Peças de Mão pneumáticas tanto em alta como em baixa rotação reduz de maneira significante o nível de ruído uma vez que o mesmo não necessita de ar comprimido para geração de velocidade que se dá por indução eletromagnética. O uso do Motor Elétrico no dia a dia da clínica contribui para a redução dos níveis de ruído do ambiente, reduzindo os efeitos ocupacionais do alto nível de ruído para os dentistas.  

Além disso, contribui no manejo de pacientes que apresentam medo de ir ao dentista relacionado ao barulho do motor, podendo o MME ser utilizado como ferramenta de Marketing para atrair pacientes.